Havia um tempo em que os processos eram menos lentos. Um tempo em que se fosse pra doer, que fosse pra doer sem ter. Esse tempo havia de exterminar todas as veias, uma por uma, até secar tudo, porque o fogo queima e seca.
Me dei conta que sempre estive falando de amor, em pleno exílio esse tempo todo, que só se mete a correr riscos porque não quer deixar de existir e quando deixa de existir, apaga todo e qualquer foco de luz. O amor que existiu acabou com as veias, mas não foi capaz de fazer o sangue secar. Era uma desordem grande e só fez piorar, afinal agora não se sabe mais como o interior continua funcionando. Mas ele continua. Tudo parece uma coisa só.
Talvez esteja sendo perfurada de dentro pra fora, engolida, a partir do momento que minha boca mostrou-se capaz de abrir tanto a ponto de engolir um outro ser inteiro. Paradoxo não para quem esqueceu que somos feitos dessa rotina, onde um bixo come outro bixo, onde a gente funciona mesmo sem saber como, onde a gente abre os olhos de um sonho mais real que a realidade.
Havia um tempo que tudo que eu fazia era para deixar tudo no lugar, era pra tentar manter a ordem natural das coisas, era pra respeitar o caos ordenado que eu mesma me propus a estar. Agora tudo parece uma coisa só.
Existe um propósito de continuar mesmo sem entender como, mesmo sem saber se é minha vez de engolir ou de ser engolida. E eu volto, sempre volto, até que alguma coisa fora daqui me faça mudar o curso. Tempos sórdidos, irreversíveis dias de muitas explosões que agora só me fazem querer paz. Esse estado que só existe depois de muita guerra, que é a pura aceitação de um exílio particular de consciência, um mergulho interior não muito fundo, onde é possível encontrar quem busque o mesmo em algum lugar do tempo, esse novo tempo, que não significa nada a não ser esperar.
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