Conheci Antônia vendendo pipoca na plataforma de BRT. Ela se apresentava falando rápido, mostrando um RG e dizendo de onde veio - do Ceará. Dizia também onde morava - na rua. Na fala corrida de quem não quer tomar muito do tempo, pedindo sempre desculpas por já considerar o incômodo de quem ouve, Antônia falava isso tudo e pedia ajuda, que as pessoas comprassem a pipoca dela pra ela ter o que comer.
Um detalhe muito importante: ela fala rápido por esse motivo que citei, mas também fala rápido porque é agitada, animadona.
Esses dias a vi novamente, ela veio até mim assim que desceu do ônibus dizendo que uma amiga minha estava no BRT esperando também o ônibus (era pra puxar assunto mesmo) e então depois disso, a gente desandou numa conversa, mas ela falou mais que eu, claro. Ela tinha uma novidade pra contar: estava juntando os trocados da pipoca pra alugar uma casa, já que tinha feito uma entrevista de emprego e só não ficou com o trabalho porque não tinha onde morar. Deram um prazo pra ela.
Daquele jeito animado, falando alto, ela disse que estava trabalhando dia e noite pra conseguir o dinheiro e disse que faltava pouco.
Ela não ofereceu pipoca pra eu comprar, aliás, das vezes que ela me viu, ela nunca ofereceu. Achei que nem sabia quem eu era. Que bom que a gente se (re)conheceu.
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