Tu chegou na minha casa um moleque, eu te olhei de roupa caqui e pensei que talvez eu devesse começar a deixar você me dizer sobre tuas escolhas a partir dos caminhos de cogumelos e traças por onde você passou. Eu tinha curiosidade no seu corpo e só por isso queria te engolir - "só a antropofagia nos une". A atitude de uma mulher que entende de motor de carros, uns peitos lindos que, sei lá, eu olhava pra não reparar. Precisava te olhar, você não merecia só reparação. A impressão lúcida de que eu e você nos encontramos e não foi pra dizer, foi pra faiscar. A gente faísca mesmo mas não a ponto de queimar, a carne tá crua e porra, eu senti isso na sua boca. Abotoa o último botão da roupa que te desnuda e se descasca depois, em cascas. Eu sinto você descendo pelo tubo digestivo e é tanta coisa pra ficar comigo que eu entendo o que é não ter perto e ter dentro. Vivemos em um eterno verão de tempestades fortes que faz sacodir os ventos, quentes. Tem hora que a gente não sabe nem onde pisar, se afunda ou canta uma música, divide um cigarro e manda uma mensagem na madrugada. A gente não sabe de muita coisa e o que a gente sabe é foda lembrar, mas eu sei que você tem um gosto bom.
- pra Jec
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