Hoje falei de morte com uma amiga-irmã de caminhada. Peço permissão silenciosa a ela de escrever sobre nós e uma experiência que nos fez partilhar tantos aprendizados e até apoio no corpo uma da outra pra levantar e continuar.
Nós morremos e renascemos, praticamente na mesma época. Momentos semelhantes. E eu não sei, juro que não sei que providência divina foi essa que fez a gente se aproximar pra se apoiar dessa forma. Cada um acredita no que faz mais sentido pra si, se isso nos der paz, amor e não nos impedir de caminhar, o nome que a gente dá pra essa crença não importa. Acreditar foi muito importante nesse processo, fé mesmo.
Somos do perfil que nasceu pra dar errado, esse que não precisa ser novamente constatado, a gente já conhece. E dói persistir pra regredir em seguida, dói não ver sentido em plantar se arrancam nossas realizações da gente assim que elas começam a tomar corpo. O peso parece não sair das costas, as constantes opressões para ser quem não se é, a dificuldade de acreditar no próprio potencial, afinal quem quer ver a gente vencer?
A minha principal crise aconteceu antes da dela, passei por dias terríveis e aquela foi a segunda vez que pensei que talvez me matar seria um favor que eu faria a mim e a quem me cerca. Da primeira vez que pensei, eu tentei. Da segunda vez, nem forças pra isso eu tinha, nem coragem de tirar minha própria vida pra não dar preocupação com aquele corpo desgastado e morto eu tinha. Eu queria definhar, sumir, me fazer esquecer. Quem queria mesmo me ver vencer?
A resposta veio, pra nós, de nós e continuamos a responder essa pergunta a quem nos faz e todas as vezes que fazemos uma a outra silenciosamente ou escondida em outra indagação similar e qualquer. Quem quer nos ver vencer é quem, assim como nós, conhece a morte e precisou passar por ela para renascer. Assim, sabemos pedir socorro e sabemos escutar os gritos (ainda que mudos) de quem nos pede ajuda.
Costumo dizer que o lugar que sempre tentaram nos colocar foi debaixo da terra, nos invisibilizando, nos tapando. Aceitemos esse lugar, então, pois o que está debaixo da terra é raiz e como escrevi esses dias num outro texto: pra lá que a gente vai, de lá que a gente veio e lá a gente finca. Paciência contigo. Pode demorar, mas a gente só cresce forte, com uma raiz firmada debaixo da terra, até pra nunca esquecer de onde a gente veio.
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