Pressionar sobre um músculo tensionado talvez não seja a melhor maneira de aliviar a dor, para nós. E qual é?
Acho que todo esse tempo que estive distante, essa foi a questão que me moveu a seguir pensando que as pessoas tenham maneiras distintas de aliviar suas dores e até mesmo de ter outras. Corpos híbridos preenchem esse planeta, afinal. Eu precisava entender a minha maneira.
Falar de aliviar dores e adquirir dores é a maneira mais fiel que encontrei pra falar da vida, das relações. Dor é uma sensação desagradável, diz o dicionário, e eu concordo com ele. Quando sinto doer, mudo a posição, mudo o modo de fazer, preciso realocar algumas maneiras de pensar. A dor incomoda.
Me dei conta que estava sempre trabalhando para aliviar as dores, evitá-las ou adquirir outras - essa ultima, de maneira não intencional, quase sempre. A dança me leva a isso, da maneira intencional. Um dia até disse a um amigo que eu gostava de sentir dor. Mas não, não era qualquer dor, era a dor muscular do trabalho, uma dor que me lembrava que no dia anterior ou naquele mesmo dia meu corpo se dedicou a uma atividade extremamente prazerosa e a dor era consequencia que eu sentia incomodar, mas não teria feito nada para evitá-la.
Qual a consequencia das nossas dores?
Que dores evitaríamos?
Que dores escolheríamos sentir sem se importar com o incômodo iminente?
Eu chamo essa nostalgia que sinto de dor, já esse distanciamento que tomei de você tenho como uma maneira de aliviar a dor, mas em meio a tudo isso, acabei adquirindo outras dores. Aquela dor, foi embora, mas agora dói em outros lugares... Consequencias. Estamos sempre nos reposicionando, sempre. Você pode duvidar, mas é um movimento constante. Até quando encontramos uma posição de conforto, não tem jeito, depois de um tempo ela deixa de ser confortável e sentimos doer. Precisamos da presença da dor até para não querê-la mais.
Quando parti, quando me distanciei, encontrei conforto onde pousei. Agora dói. "E porque eu tenho tanta nostalgia de vós?". Nostalgia que chamo de dor, mas que não sei se gostaria ou se poderia evitá-la. Estou me realocando agora e admitir que falar de dor é falar de vida, de nós, alivia e quase faz desaparecer a maior dor que eu sinto: a de não saber lidar com o amor. Em especial, nosso amor.
Eu volto, mas não voltarei sem dores.
Eu volto, mas não voltarei sem dores.
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