quarta-feira, 3 de junho de 2015

presente do amor solitário

trago-te um presente solitário, que está contigo mas não está por ti
que se presentifica em atos mas se afasta em desejo
que ama mas não sabe se mais a ti ou a solidão
que não sofre nem rejeita
que ri da própria impotência, se encanta com o próprio amor
que fere sem juízo
que protege sem medição
que doa calor e que se afasta devagarinho
e quando se afasta, é pra ver
tem perfume de flor, cara de flor, textura de flor
que pode querer te ver ir pelo caminho
que pode te esperar numa rua escura
que pode chorar baixo enquanto te abraça
que pode ter medo de se perder nos seus olhos clarinhos
que pode não querer te ver
que pode te entregar uma carta de amor
que pode gritar contigo com medo de dar carinho
que pode ir embora e voltar num dia qualquer
que pode nunca ir e jamais querer voltar
que pode muito e pode nada
que vive os instantes contigo dentro
que te vê de novo toda vez que nota que te ama e não tem saída
que está dentro de um embrulho amassadinho
com um laço improvisado de fita






- entrego-te eu.

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