terça-feira, 26 de maio de 2015

dado inventado

Tinha um cachorro chamado Leno. De John Lennon. Falava com as plantas, detestava vírgula. Amava ponto. Tinha uma tatuagem mal feita na perna, era tricolor mas não perdia nada torcendo pro Vasco. Acreditava num deus tão mundano que dava dó e sofria à vera lendo fan fic na internet. Isso era segredo, assim como estar apaixonada pela professora de espanhol do cursinho. Nunca entregou currículo, só enviou. Curtia demais um primo chamado Adalberto que morreu e não fez enterro. Rabiscar a pele era uma mania, nela e nos outros. Escrevia a palavra plantão por aí porque achava bonita. Deletou o facebook mês passado. Nunca segurou a mão de ninguém no cinema (achava brega), só pinta as unhas no ano novo. Gosta do cabelo meio loiro que tem. Só usa calçola pra dormir e vestido azul pra sair. Anda de olhos fechados no escuro. "Me chama de Sil". Torce o tornozelo com frequencia, odeia Beirut, incenso de maçã verde e adeus. 
Parece interessante e é só dado - inventado. 

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