Em terceira pessoa, pra não pensarem que falava de si.
Pensou em bloqueios criativos e na perigosa falta de sono.
Um menino sensível, uma menina turrona, uma outra esquisitinha e ela, que escrevia em terceira pessoa para não desconfiarem que era de si. Todos convivendo juntos.
A verdade era que tudo que escrevia falava dela.
Equívoco tentar entender os outros, quando nem se entendia ainda.
Algumas vezes, ainda tentava. Entender os outros e a si.
Ouça e sinta o som. E isso é tudo agora, pensou.
Bárbaro é observar o pôr-do-sol e continuar tendo fé.
Ela, tentava entender.
E tudo servia de inspiração, principalmente o som.
Hoje não tinha para quem dar boa noite.
Lembrou das plantas, que ainda respiram e estão com ela.
Deu boa noite a elas, os olhos sorriam.
A poeira havia sumido e se misturado ao ar.
Enfim, ao ar.
Da escrita automática.
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