segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aproveite as suas!

Cena do filme Jean Charles.


Jean Charles de Menezes, alguém já ouviu falar do sujeito? Bem, é provável que sim, em algum noticiário da vida, a cinco ou seis anos atrás. Se trata de um rapaz brasileiro, mais especificamente mineiro, que foi tentar a vida na Inglaterra. Ele era eletricista, mas também se virava como podia. Acontece que esse tal rapaz brasileiro, mais especificamente mineiro, que foi tentar a vida na Inglaterra, um certo dia estava no metrô indo para o seu mais novo trabalho e foi surpreendido por um grupo de caras que, começaram a correr na direção dele. No desespero, o eletricista correu também, sem entender as razões da perseguição. Conclusão: Foi baleado nas costas e morreu na hora. O motivo de tudo isso? Jean Charles, o brasileiro, mais especificamente mineiro, que foi tentar a vida na Inglaterra teria sido confundido com um terrorista. Graças a um mal entendido, o rapaz teria sido confundido com um terrorista. Sem direito de resposta, Jean morreu, baleado nas costas, em um metrô de Londres. A familia do mineiro até hoje luta por justiça. Selton Melo e Vanessa Giácomo estrelam o filme da vida do mineiro eletricista. Selton como o próprio Jean e Vanessa como sua prima, levada por Jean para também tentar a vida no país Europeu. Jean Charles teve seu caso de injustiça relatado em um filme. Muitos não tiveram. Os casos são diversos, em lugares diferentes, por causas diferentes, com pessoas diferentes, mas uma coisa é comum em todos eles: o direito de resposta que não é dado, do grito, da defesa. Ou seja, a injustiça. Vendo esse filme eu me lembrei do meu irmão. Tudo bem que a história é bem outra, na verdade foge até da ideia original, já que meu irmão teve sim culpa no cartório e quando estava buscando sua segunda chance, o mataram por vingança. Talvez essa não tivesse sido a segunda vez do meu irmão, confesso, ele deveria estar lá pela 41ª, mas todos que o amavam acreditavam que aquela vez seria pra valer, porque era sempre assim, a gente acreditava nele. Na 40ª vez que meu irmão tentou, tenho certeza que ele não sabia que aquela era a ultima. Nem nós sabíamos. Meu irmão não pôde tentar de novo, Jean não pôde explicar que não era bombas que ele carregava, era somente sonhos e muitas outras pessoas de nomes diferentes, de lugares diferentes, de classes diferentes, em contextos diferentes, também não tem a chance de tentar mais uma vez e de se defender. O que começou sendo um post sobre injustiças, vai terminar sendo um post sobre oportunidades. Então o recado é simples: aproveite as suas.

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